Por Dr. Tácito Guimarães, médico urologista · CRM-MG 38217 · RQE 17450 · Belo Horizonte (MG)
Publicado em 11/10/2026 · Última revisão médica em 11/10/2026 · Leitura: 16 minutos
Resposta rápida: o câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens brasileiros, com cerca de 78 mil casos novos por ano. Na fase inicial, geralmente não causa sintomas, por isso a avaliação com urologista a partir dos 50 anos (ou 45, em grupos de risco) é importante. Quando descoberto cedo, tem altas chances de cura, com cirurgia, radioterapia ou acompanhamento ativo.
Pontos-chave
Neste artigo
O câncer de próstata é o crescimento desordenado de células da próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino do tamanho aproximado de uma noz. Ela fica logo abaixo da bexiga, à frente do reto, e envolve o início da uretra, o canal por onde passa a urina. Sua principal função é produzir parte do líquido que compõe o sêmen.
Mais de 95% dos casos são do tipo adenocarcinoma, que nasce das células glandulares. É por isso que, no laudo da biópsia, aparece com frequência a expressão “adenocarcinoma acinar de próstata”. A maioria desses tumores surge na zona periférica, a parte da glândula voltada para o reto, o que explica por que o exame de toque consegue perceber alguns deles.
Uma característica importante: muitos cânceres de próstata crescem devagar e podem levar anos para causar qualquer problema. Outros são agressivos e se espalham mais cedo. Distinguir um do outro é o centro do trabalho do urologista, e é isso que define se o melhor caminho é tratar imediatamente ou acompanhar de perto.

Sim. Segundo a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, o Brasil deve registrar 77.920 casos novos de câncer de próstata por ano. Ele é o tumor mais frequente entre os homens em todos os estados, com 30,5% dos casos (sem contar o câncer de pele não melanoma) [1][2].
A Região Sudeste concentra a maior parte: cerca de 40.890 casos por ano, com a maior taxa do país, de 64,12 casos a cada 100 mil homens [2]. Em mortalidade, o INCA registrou 15.841 óbitos por câncer de próstata em 2020, o que o coloca entre as principais causas de morte por câncer nos homens [3].
Esses números mostram por que o tema merece atenção. Ao mesmo tempo, a maioria dos casos é diagnosticada em fase localizada, quando o tratamento tem resultados muito bons.
Não existe uma causa única. O câncer de próstata resulta de alterações no DNA das células que se acumulam ao longo da vida. Alguns fatores aumentam claramente o risco:
Ter um ou mais desses fatores não significa que o câncer vai aparecer. Significa que a avaliação com o urologista deve começar mais cedo e ser mais cuidadosa.
Na fase inicial, o câncer de próstata geralmente não causa sintomas. Esse é o principal motivo para a avaliação periódica: quando surgem sinais, a doença muitas vezes já está mais avançada.
Quando aparecem, os sintomas podem incluir:
Os sintomas urinários, porém, quase sempre têm outra causa: a hiperplasia prostática benigna, o aumento não canceroso da próstata, muito comum depois dos 50 anos. A tabela abaixo ajuda a entender a diferença.
| Sinal | Causa mais comum | O que fazer |
|---|---|---|
| Jato fraco, levantar à noite para urinar | Aumento benigno da próstata | Consulta com urologista, sem urgência |
| Sangue na urina | Infecção, cálculo, tumores de bexiga ou próstata | Avaliação médica rápida |
| Sangue no sêmen | Inflamação, geralmente benigna | Avaliação com urologista, principalmente após os 40 anos |
| Dor óssea persistente e perda de peso | Diversas causas, incluindo câncer avançado | Avaliação médica rápida |
| Nenhum sintoma | — | Avaliação periódica a partir dos 50 anos (ou 45 com fatores de risco) |
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens procurem um urologista para uma avaliação individualizada [4]:
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento organizado de toda a população sem sintomas, por causa do risco de sobrediagnóstico, que é descobrir tumores que nunca causariam problemas [5]. Na prática, as duas posições convergem para o mesmo ponto: a decisão de fazer os exames deve ser conversada entre o homem e o urologista, considerando os benefícios e os riscos para o seu caso.
A avaliação inclui dois exames complementares:
O diagnóstico segue etapas, e cada uma só avança quando a anterior indica necessidade.

O PSA total é a quantidade de antígeno prostático específico no sangue. Valores elevados podem indicar câncer, mas também aparecem no aumento benigno da próstata, em prostatites (inflamações), após relação sexual, exercício intenso como ciclismo ou manipulação recente da próstata. Por isso, PSA alto não é sinônimo de câncer.
O urologista interpreta o PSA junto com a idade, o tamanho da próstata, a velocidade de aumento entre exames e a relação entre PSA livre e total.
A ressonância da próstata se tornou uma etapa central antes da biópsia, recomendada pelas diretrizes europeias [6]. Ela classifica as áreas suspeitas pelo sistema PI-RADS, de 1 a 5 [7]:
A ressonância ajuda a evitar biópsias desnecessárias e permite que, quando a biópsia for feita, ela seja dirigida à área suspeita.
A biópsia é o único exame que confirma o diagnóstico. Pequenos fragmentos da próstata são retirados com agulha, guiados por ultrassom e pelas imagens da ressonância. Hoje ela é feita normalmente por duas vias: a transretal (através do ânus) e a transperineal (pela pele entre o escroto e o ânus). O procedimento é feito com anestesia local e sedação, ou seja, o paciente fica dormindo.
Confirmado o câncer, exames como cintilografia óssea, tomografia ou PET-CT com PSMA mostram se o tumor está restrito à próstata ou se espalhou. Eles são indicados principalmente para tumores de risco intermediário desfavorável e alto risco.
Esses três termos aparecem no laudo e na conversa sobre tratamento.
Escore de Gleason. O patologista observa as células ao microscópio e atribui notas ao padrão mais comum e ao segundo mais comum. A soma forma o escore: Gleason 6 (3+3), 7 (3+4 ou 4+3), 8, 9 ou 10. Quanto maior, mais agressivo o tumor.
Grupo de grau ISUP. Desde 2014, o Gleason é organizado em cinco grupos, mais fáceis de entender [8]:

Estadiamento (TNM). Indica o tamanho do tumor (T), se há comprometimento de linfonodos (N) e se há metástases à distância (M).
Com essas informações, o urologista classifica o caso em grupos de risco: muito baixo, baixo, intermediário favorável, intermediário desfavorável, alto e muito alto. É essa classificação que orienta as opções de tratamento [6].
Não existe um tratamento “melhor” para todos. A escolha depende do grupo de risco, da idade, da saúde geral, dos sintomas urinários e das preferências do paciente. As principais opções estão resumidas abaixo.

Para tumores de baixo risco (Grupo 1, pequenos e com PSA baixo), a vigilância ativa é a opção recomendada pelas diretrizes [6]. O paciente não é tratado de imediato, mas acompanhado com PSA, exame de toque, ressonância e biópsias periódicas. Se houver sinais de progressão, o tratamento com intenção de cura é oferecido.
A grande vantagem é evitar, enquanto for seguro, os efeitos colaterais da cirurgia ou da radioterapia. Vigilância ativa não é “não fazer nada”: é um acompanhamento estruturado e rigoroso.
A prostatectomia radical retira toda a próstata e as vesículas seminais e, quando indicado, os linfonodos da região. É uma das principais opções com intenção de cura para tumores localizados de risco intermediário e alto.
Ela pode ser feita por três vias:

A cirurgia robótica permite movimentos precisos em um espaço anatômico estreito, o que ajuda na preservação dos nervos responsáveis pela ereção e das estruturas ligadas à continência, quando o caso permite. Em geral, está associada a menor perda de sangue e internação mais curta em comparação à cirurgia aberta. Os resultados de controle do câncer dependem principalmente da experiência do cirurgião e das características do tumor. Saiba mais sobre a cirurgia robótica em Belo Horizonte.
A radioterapia usa radiação para destruir as células do tumor e é uma alternativa à cirurgia com resultados de controle semelhantes em muitos casos. Pode ser feita de duas formas:
Nos tumores de risco intermediário desfavorável e alto, a radioterapia costuma ser associada a um período de terapia hormonal.
O câncer de próstata depende da testosterona para crescer. O bloqueio hormonal reduz a ação desses hormônios. Ele é usado isoladamente ou em combinação com a radioterapia no tratamento de certos cânceres de próstata.
Quando o câncer se espalhou, o tratamento busca controlar a doença por muitos anos, com qualidade de vida. Além do bloqueio hormonal, há medicamentos hormonais de nova geração, quimioterapia, radiofármacos dirigidos ao PSMA e tratamentos para proteger os ossos. Esse acompanhamento é feito em conjunto com a oncologia clínica.
Para tumores localizados, cirurgia e radioterapia têm taxas de controle do câncer semelhantes em muitos cenários. A diferença está no perfil de efeitos colaterais, no tempo de recuperação e nas características de cada paciente. Por isso, o tratamento mais eficaz é aquele indicado para o seu tipo de tumor, depois de uma conversa franca sobre benefícios e riscos de cada opção.
Sim, na grande maioria dos casos diagnosticados cedo. Dados do programa SEER, do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, compilados pela American Cancer Society, mostram a sobrevida relativa em 5 anos por estágio [9]:
| Estágio no diagnóstico | Sobrevida relativa em 5 anos |
|---|---|
| Localizado (restrito à próstata) | maior que 99% |
| Regional (próximo à próstata ou linfonodos) | maior que 99% |
| À distância (metástases) | 38% |
| Todos os estágios | 98% |
Dados de homens diagnosticados entre 2015 e 2021 nos Estados Unidos. Os resultados individuais variam, e os tratamentos atuais tendem a ter resultados melhores do que os de quem foi tratado anos atrás.
Mesmo quando a doença está avançada, os tratamentos atuais permitem que muitos homens vivam vários anos com boa qualidade de vida. O fator que mais muda esse cenário continua sendo o diagnóstico precoce.
Cada tratamento tem efeitos possíveis, que devem ser discutidos antes da decisão.
Após a cirurgia:
Após a radioterapia: podem ocorrer sintomas urinários e intestinais temporários, e a disfunção erétil pode surgir de forma mais gradual ao longo dos anos.
Com a terapia hormonal: ondas de calor, cansaço, perda de libido, ganho de peso e perda de massa óssea e muscular, que podem ser amenizados com atividade física e acompanhamento.
Não existe uma forma comprovada de impedir o câncer de próstata. Idade, histórico familiar e genética não podem ser modificados. Ainda assim, algumas atitudes fazem sentido para a saúde em geral e podem reduzir o risco de tumores agressivos:
A medida mais eficaz continua sendo a detecção precoce: conversar com o urologista na idade certa e fazer os exames quando indicados.
Na prática, o paciente que chega com o PSA elevado, com o toque retal alterado ou com os dois faz primeiro uma ressonância magnética da próstata. Depois da ressonância, quando indicado, fazemos a biópsia, que define o grau do tumor e orienta como vai ser o tratamento.
Nos casos muito iniciais, fazemos a vigilância ativa. Hoje, na maioria dos casos que precisam de tratamento definitivo, utilizamos a cirurgia ou a radioterapia, e também a radioterapia associada à hormonoterapia. Mas cada caso é individualizado: depende do estado de saúde do paciente e de uma série de outros fatores. Eu opero no Hospital Mater Dei e no Hospital Vila da Serra.
Depois da cirurgia, o acompanhamento é feito com consultas a cada 20 a 30 dias no primeiro mês e, depois, três vezes ao ano. O PSA é o principal elemento que norteia esse acompanhamento. Também fazemos todo um trabalho voltado para a recuperação da continência urinária e da ereção.
Procure um urologista se você:
O Dr. Tácito Guimarães é médico urologista formado pela UFMG, com atuação em cirurgia robótica e urologia minimamente invasiva em Belo Horizonte. O atendimento acontece no consultório da Rua dos Otoni, 735, sala 710, no bairro Santa Efigênia, e as cirurgias são realizadas nos hospitais Vila da Serra e Mater Dei.
Agende sua consulta: telefone e WhatsApp (31) 98271-5555 ou pela página de contato.
Depende do tipo de tumor. Muitos cânceres de próstata crescem devagar e têm excelente prognóstico, principalmente quando descobertos cedo. Outros são agressivos e exigem tratamento rápido. O escore de Gleason, o grupo ISUP e os exames de estadiamento mostram a gravidade de cada caso.
Varia muito. Tumores de baixo grau (Grupo 1) podem permanecer restritos à próstata por muitos anos ou nunca se espalhar. Tumores de alto grau (Grupos 4 e 5) podem se espalhar em menos tempo. Por isso o acompanhamento e a classificação de risco são essenciais.
Quando o câncer é descoberto restrito à próstata, a sobrevida em 5 anos ultrapassa 99%, e a maioria dos homens vive tanto quanto viveria sem a doença. Quando já há metástases, a sobrevida em 5 anos é de cerca de 38%, com tratamentos que permitem muitos anos de vida com qualidade [9]. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
O Grupo 2 (Gleason 3+4) é um tumor de risco intermediário favorável e, na grande maioria dos casos, é tratado com intenção curativa, por cirurgia ou radioterapia. Em casos selecionados, a vigilância ativa também pode ser considerada.
Não. O PSA também aumenta no crescimento benigno da próstata, em inflamações (prostatites), depois de relação sexual, de exercício intenso como ciclismo ou de procedimentos urológicos. O urologista avalia o resultado junto com outros dados e pode pedir a repetição do exame ou uma ressonância antes de indicar biópsia.
O toque retal é recomendado junto com o PSA porque identifica alguns tumores que não elevam o PSA. O exame é rápido, dura poucos segundos e é feito com cuidado e respeito. A decisão sobre quais exames fazer é tomada na consulta.
A cirurgia é feita em um único procedimento, com internação curta (em torno de 12 a 24 horas) e retorno a atividades leves em cerca de 14 dias. A radioterapia externa dura de poucas semanas a cerca de dois meses, conforme o esquema. A terapia hormonal pode durar de meses a anos. Depois de qualquer tratamento, o acompanhamento com PSA continua por muitos anos.
A prostatectomia radical elimina a ejaculação, e a radioterapia e a terapia hormonal afetam a fertilidade. Quem deseja ter filhos deve conversar com o urologista antes do tratamento sobre o congelamento de sêmen.
Não necessariamente. O risco de disfunção erétil depende da idade, da função sexual antes do tratamento, do tipo de tratamento e da possibilidade de preservar os nervos na cirurgia. Existem tratamentos eficazes para recuperar a função sexual, da reabilitação com medicamentos até a prótese peniana.
Ter pai ou irmão com câncer de próstata aumenta o risco, principalmente se o diagnóstico ocorreu antes dos 65 anos ou se há vários casos na família. Nesses casos, a SBU recomenda iniciar a avaliação com urologista a partir dos 45 anos [4]. Em algumas famílias, pode ser indicado um teste genético.
Na fase inicial, não. A dor geralmente aparece apenas em fases avançadas, principalmente quando há metástases nos ossos. A ausência de dor ou de qualquer sintoma não exclui a doença, por isso a avaliação periódica é importante.

Sobre o autor. Dr. Tácito Guimarães é médico urologista (CRM-MG 38217, RQE 17450), formado pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2003, com residência em Cirurgia Geral e em Urologia. Atua em Belo Horizonte em cirurgia robótica, urologia minimamente invasiva e uro-oncologia. Tem título de especialista em Urologia (TiSBU) e é membro da Associação Americana de Urologia (AUA) e da Associação Europeia de Urologia (EAU).

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de exames e tratamentos é individual e depende da avaliação do urologista.
Online agora
Olá como vai? Sou atendente do Dr. Tácito Urologista de Belo Horizonte. Qual seu nome e qual seu plano de saúde?
Agora